BRISE Serra do Japi

Monitoramento contínuo de águas subterrâneas na Serra do Japi baseado em sensores de baixo custo e Internet das Coisas (IoT)

Introdução

A disponibilidade hídrica e a manutenção dos ecossistemas aquáticos dependem intrinsecamente da dinâmica das águas subterrâneas. O lençol freático, ao interagir constantemente com as águas superficiais, atua como regulador do fluxo de base dos rios, especialmente durante as estações de estiagem.

As soluções baseadas em Internet das Coisas (IoT) emergem como uma alternativa viável, econômica e descentralizadora. O uso de sensores para monitoramento contínuo em poços, integrado a sistemas de transmissão de dados de longo alcance, permite a gestão precisa dos recursos hídricos com drástica redução de custos.

O presente estudo aplica essa inovação tecnológica na Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra do Japi, um maciço montanhoso estratégico situado entre Jundiaí, Cabreúva, Pirapora do Bom Jesus e Cajamar. Reconhecida por diversos instrumentos legais, a região abriga cabeceiras vitais para o abastecimento público.

"A Serra do Japi convive com a pressão de uma intensa urbanização somada a uma significativa concentração da exploração de suas águas subterrâneas por polos industriais."

Objetivo Geral

Desenvolver e implantar um sistema de monitoramento contínuo de águas subterrâneas na região da Serra do Japi, baseado em sensores de baixo custo e tecnologias de IoT, utilizando poços já existentes (tubulares e escavados) como pontos de medição.

Objetivos Específicos

Caracterização da Área de Estudo

A Serra do Japi compreende um território de aproximadamente 350 km², estrategicamente localizado no interior do Estado de São Paulo. Desse total, 191,7 km² encontram-se formalmente protegidos e tombados pelo CONDEPHAAT.

Mapa de localização da Serra do Japi

Localização da Serra do Japi — Território de Gestão, zonas de conservação, reserva biológica e limites da APA

350 km²
Área total
191,7 km²
Área protegida
91,4 km²
Jundiaí (47,7%)
78,9 km²
Cabreúva (41,2%)

O maciço representa um dos mais raros e significativos remanescentes contínuos do bioma Mata Atlântica no interior paulista, um ecossistema do qual restam apenas cerca de 7,9% da sua formação original no Brasil. Reconhecida como "Reserva da Biosfera da Mata Atlântica" pela UNESCO, a Serra do Japi é o maior entre os 72 fragmentos catalogados deste bioma.

Mapa de cobertura vegetal da Serra do Japi

Mapa de cobertura vegetal da APA da Serra do Japi — Território de Gestão Jundiaí

"A intrincada relação entre a geologia fraturada, os depósitos porosos e a densa cobertura vegetal confere à Serra do Japi uma riqueza hídrica ímpar. Esta dinâmica levou o geógrafo Aziz Ab'Sáber a cunhar a região como o 'castelo de águas' do interior paulista."

No contexto atual, os recursos hídricos de Jundiaí são majoritariamente superficiais, com o Rio Jundiaí Mirim a responder por cerca de 95% do abastecimento. Contudo, o esgotamento e a poluição dos mananciais superficiais têm provocado uma transição acelerada para a exploração das águas subterrâneas. Estudos locais identificaram 335 poços no município, dos quais aproximadamente 29% (103 poços) estão localizados a menos de 500 metros de áreas contaminadas.

Análise dos Dados

O processamento geoespacial das outorgas vigentes no município de Jundiaí resultou em 597 registros, distribuídos em três tipos de uso. Destes, 114 situam-se dentro do buffer de 1,1 km da Serra do Japi, com consumo agregado de 2,37 milhões de m³/ano.

597
Outorgas vigentes
114
No buffer 1,1 km
65
Dentro da Serra
2,37 Mi
m³/ano consumo total

A zona exclusiva do buffer (49 outorgas) totaliza 55% do consumo (1,32 Mi m³/ano). A Serra do Japi (65 outorgas) totaliza 45% (1,06 Mi m³/ano). O ranking detalhado, com volumes e equivalentes populacionais, está disponível na página Consumidores.

Justificativa

A Serra do Japi constitui área de relevante interesse para a segurança hídrica e a conservação da biodiversidade no estado de São Paulo. Suas cabeceiras alimentam mananciais utilizados no abastecimento público de municípios da região.

O monitoramento convencional por piezômetros e medições manuais apresenta custos elevados e dificuldades operacionais em áreas extensas ou de acesso difícil. A instrumentação de poços já existentes, com sensores de baixo custo e transmissão de dados em tempo real, permite ampliar a rede de monitoramento sem novas perfurações.

A aplicação de IoT e sensoriamento remoto na gestão de águas subterrâneas está alinhada às tendências atuais de uso de tecnologia para gestão de recursos hídricos e à necessidade de dados contínuos para modelagem e tomada de decisão.