A proposta consiste em implantar uma rede híbrida de monitoramento que combina poços de referência instrumentados com a adaptação de poços produtivos pré-existentes, utilizando sensores de baixo custo e transmissão via protocolo LoRaWAN. A rede permitirá acompanhar em tempo real o comportamento do lençol freático na Serra do Japi e sua zona de influência.

Transdutores de Pressão Submersíveis

Monitoramento em Poços Tubulares — Aquífero Fraturado

Os transdutores de pressão submersíveis são a solução indicada para poços tubulares profundos que exploram o aquífero fraturado (cristalino). Funcionam com base no princípio hidrostático: a pressão da coluna de água acima do sensor é convertida em leitura de nível, com compensação barométrica automática via tubo de ventilação (vented).

Esses sensores são fundamentais para monitorar a severidade dos cones de rebaixamento causados pelo bombeamento industrial intensivo, registrando tanto o nível estático quanto o nível dinâmico do poço em operação.

Diagrama de níveis estático e dinâmico

Diagrama ilustrativo — Nível estático e nível dinâmico em poço tubular. O transdutor de pressão é instalado abaixo do nível dinâmico para registro contínuo.

Sensores Ultrassônicos e LiDAR

Monitoramento em Poços Escavados — Aquífero Poroso Livre

Para poços escavados (cacimbas) que exploram o aquífero poroso livre e os depósitos aluviais cenozoicos, a solução adotada são sensores de nível sem contato. Os sensores ultrassônicos e LiDAR (Time-of-Flight) são instalados na proteção superficial do poço, medindo a distância até a lâmina de água por meio de pulsos sonoros ou laser.

A principal vantagem é a eliminação do risco de contaminação cruzada, uma vez que nenhuma parte do sensor entra em contato com a água. Isso os torna ideais para envolver a comunidade local em iniciativas de ciência cidadã.

Instalação de sensores LiDAR e ultrassônicos em campo

Instalação de sensores LiDAR e ultrassônicos em poço de monitoramento em campo — medição de nível sem contato direto com a água.

Rede de Transmissão — LoRaWAN

Topologia de Comunicação de Longo Alcance

O relevo acidentado da Serra do Japi — com cotas que variam de 700 a 1.200 metros — inviabiliza o uso de redes celulares convencionais (GPRS/4G) em diversas localidades. O protocolo LoRaWAN (Long Range Wide Area Network) foi selecionado por suas características de longo alcance (até 15 km em área rural), baixo consumo energético e operação na faixa de 915 MHz.

End-Nodes (Nós Sensores)

Microcontroladores de baixo consumo (ESP32 + módulo LoRa) acoplados aos sensores em cada poço. Programados para despertar periodicamente, realizar a leitura piezométrica e transmitir via rádio.

ESP32 915 MHz Sleep mode

Gateways (Concentradores)

Antenas posicionadas nas cotas mais elevadas da APA. Recebem dados de dezenas de poços num raio de vários quilômetros e realizam o backhaul para o servidor em nuvem.

Gateway LoRa Satélite Nuvem

Alimentação Energética

Os nós sensores são alimentados por painéis solares com bateria de backup, garantindo autonomia mesmo em locais sem rede elétrica convencional dentro da APA.

Solar Bateria Autônomo
Diagrama de rede LoRa com painel solar, gateway e nuvem

Diagrama da rede LoRaWAN — Nós sensores com painel solar transmitem dados para gateways concentradores, que encaminham para a plataforma em nuvem.

Integração e Visualização dos Dados

A integração da arquitetura em nuvem permite a correlação automatizada das flutuações do lençol freático com o volume outorgado e as variáveis climáticas regionais (precipitação, evapotranspiração). Os dados são processados e disponibilizados em dashboards para acompanhamento contínuo.

Séries Temporais

Construção de séries históricas de nível e pressão, com correção automática de falhas e outliers nos dados transmitidos.

Correlação Climática

Cruzamento com variáveis climáticas obtidas por sensoriamento remoto e estações meteorológicas locais.

Alertas Precoces

Sistema de notificação para rebaixamentos anômalos ou tendências de esgotamento do aquífero, subsidiando a gestão.

O sistema completo — sensores, transmissão LoRaWAN e plataforma em nuvem — transforma poços produtivos pré-existentes em pontos de monitoramento ativo, sem necessidade de novas perfurações, reduzindo drasticamente os custos de implantação e manutenção da rede.